Do corpo presente ao corpo performativo. InShadown

Do corpo presente ao corpo performativo
Festival InShadow 2019

Curaduria
Vanane Borian (arm), Francesca Fini (ita), Cristian Guardia (ven), Dori & Grey (esp), Joshua Chacón (méx), Iciar Vega Seoane (esp), Erika Ordosgoitti (ven), Félix Fernández (esp), Carlos Llavata (esp) e Paula Lafuente (esp)

A amostra de video arte, selecionada pela plataforma PROYECTOR, quer convidar o espectador a se posicionar, a não se manter impassível, a não parar, a não ser intimidado pelo medo, pela raiva ou pela dor. Em um mundo onde o Estado quer nos dizer o que pensar, o que fazer, o que é certo, o que é proibido, o que é legal, o que é válido, a nossa posição é usar o corpo para não permanecer em silêncio, para expressar o que sentimos. Não há mais medo do que a nossa ignorância, e da nossa covardia. Os artistas apresentados na exposição nos convidam a reagir, como afirma Joshua Chacón, em “La Prison del Alma”; ou aquele corpo, que é maltratado, não pela aparência, mas pela História e pelos ritos, o que nos mostra o lado mais selvagem da sociedade, que é claramente visto na peça de Vanane Borian; os artistas Dori & Grey apresentar-nos uma sociedade que desaparece, que está caindo lentamente, que conforme o tempo como a ampulheta desaparece, para treinar em outro corpo, em outro estado, composta das mesmas partículas, mas com colocação diferente, oferecendo-nos a possibilidade de mudar, mesmo em micropartículas; não tanto em micropartículas, como em microeletrodos, como é o que a Francesca Fini nos apresenta, convidando a refletir, sobre como embelezar nosso corpo, podemos nos maltratar. Paula Lafuente convida-nos a vestir-se, a ser outros, criando-nos, quase mitológicasente, congelado no tempo, mas sob a camada de presente, ou seja obsolescência personagens fantásticos, por isso trabalha com materiais baratos comprados nas lojas chinesas de baixo preço, com uma durabilidade mais do que questionável. O último personagem dessa pintura de Bosco seria o louco, aquele que, diante de um mundo que não tem solução, responde evadindo-se, com humor e alegria, como faz Cristian Guardia. Corpos presentes, mas não passivos, corpos reais e corpos virtuais, onde o aqui e agora nada mais são que uma convicção. Com Indiferença apresenta Iciar Vega Seoane o seu trabalho, enquanto Erika Ordosgoitti faz da rebelião, do proibido, sempre com seu corpo nu em espaços públicos, recitando poesia para uma possível morte ou represálias, num país em desenvolvimento de autodestruição. Félix Fernández com suas múltiplas alteregos para esta seleção apresenta um corpo futurista, criado por uma sociedade na necessidade de heróis, estrelas efêmeras cuja fama é quase como os 15 minutos de fama que o Warhol falou. De anti-heróis, ou de heroínas, talvez Carlos Llavata fale com sua peça em que o próprio artista tenta varrer o mar.
Em suma, nos propomos a experimentar em outras peles, em nossa pele e acima de tudo, ser os geradores da mesma ação.

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